segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Os Três Mosqueteiros


Os Três Mosqueteiros - Alexandre Dumas - 2011 - 536 páginas - Generale
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O jovem d'Artagnan deixa sua terra natal no interior da França e chega a Paris para se tornar membro dos mosqueteiros, a tropa especial do Rei Luís XII.
Após alguns acontecimentos, vê-se em meio a um embate com os três mosqueteiros, os amigos, Athos, Porthos e Aramis. Os duelos, porém, estão proibidos na França. Assim, inesperadamente, eles são flagrados pelos guardas do Cardeal Richelieu, que os atacam impiedosamente, e, juntos, saem vitoriosos do combate. Os quatro se tornam companheiros inseparáveis e adotam o lema "Um por todos, todos por um!".
Eles combatem em nome do rei e pela defesa da honra da rainha, vivendo uma sequência de momentos de tensão, ameaças e aventuras eletrizantes. As suas vidas estão sempre por um fio. Entre lutas de espadas memoráveis e perseguições alucinantes, os quatro bravos guerreiros correm contra o tempo para deter os avanços de Richelieu e se defender das armações da bela Milady e do Duque de Buckingham.
Recheado de intrigas. romance, bom humor, suspense e batalhas espetaculares, Os três mosqueteiros é um clássico da literatura mundial que continua encantando gerações de leitores.


"um por todos e todos por um!"



Ler clássicos não é fácil, seja ele nacional ou estrangeiro. Você vai precisar quebrar um pouquinho a cabeça, mas faz bem sabia? Segundo um estudo realizado pela Universidade de Liverpool, da Inglaterra, e divulgado em 2013, mostra como obras clássicas estimulam mais o cérebro do que literatura simples, gerando mais atividade cerebral. Olha, eu posso até concordar com isso, já que me vi fazendo pesquisas sobre a obra durante sua leitura.

Os Três Mosqueteiros é aquele tipo de livro que mistura uma aventura fictícia ao bom estilo "capa e espada", com romance, traições, intrigas e assassinatos, lealdade, amizade, à fatos históricos reais que desempenham a grande invenção criada pelo autor. Aqui acompanhamos d'Artagnan em aventura para se tornar um mosqueteiro do rei junto de seus amigos já mosqueteiros (daí o porque do título da obra).

Narrando as aventuras do jovem d'Artagnan - um personagem que realmente existiu, mas num contexto diferente -, o livro pode ser dividido em "duas partes" distintas: o caso das agulhetas de diamante da Rainha Anna da Áustria - da qual faz com que d'Artagnan e seus amigos irem até Londres atrás do Duque de Buckingham -, com um clima mais leve e até humorístico; e a segunda: que traz uma atmosfera mais densa com foco na personagem Milady e no Cerco de La Rochelle - que me fez ir atrás do acontecimento real, afim de colocar na balança literária do que é ficção e o que não é.

O que Dumas faz aqui, aliás, é deslocar a narrativa no tempo, criando situações meio impossíveis de realmente terem acontecido, como por exemplo, a participação de d'Artagnan nessa parte da história. Há dúvidas sobre a veracidade dos fatos que o cercam - se ele realmente existiu e tals -, uma vez que o próprio Dumas teve conhecimento deste personagem através de um manuscrito, que teria sido escrito 27 anos depois após a morte do jovem, uma vez que na época do Cerco de La Rochelle d'Artagnan teria 15 anos, logo tendo sido impossível sua participação no acontecido. Assim como acontece com d'Artagnan, outros personagens também teriam realmente existido, como os próprios três mosqueteiros Athos, Porthos e Aramis, mas sempre num contexto diferente.

Outra coisa que seria invenção do autor são as histórias de amor que jamais existiram, tal como a história extraconjugal protagonizado pelo Rei Luís XIII, sua esposa a Rainha Anna da Áustria, o Cardeal de Richelieu e o Duque de Buckingham. Nesse caso, a Rainha Anna da Áustria teria um caso com o Duque de Buckingham, enquanto ela é constantemente assediada pelo antagonista, o Cardeal Richelieu, que também é ministro do Rei Luís XIII.

E Dumas não para por aí. Ele também quebra um paradigma utilizando a personagem Milady (um dos temas centrais, junto com o Cerco de La Rochelle da "segunda parte"), que ao invés de ser a típica donzela virgem e inocente em perigo, aprisionada por vilões sem escrúpulos, se torna ela mesma a vilã inescrupulosa e quem assume tal papel de donzela em perigo é a Sra. Bonacieux, serva de Sua Majestade e personagem importante na trama.

Por se tratar de um romance histórico, Os três mosqueteiros meio que faz com que seus protagonistas d'Artagnan, Athos, Porthos e Aramis se transformem em meras coadjuvantes de algo maior, como  o Cerco de La Rochelle, as intrigas reais - Rei Luís XIII rodeado pelo Cardeal Richelieu, que tem como inimiga a Rainha Anna da Áustria, que por sua vez está envolvida com o Duque de Buckingham, que junto com o Rei da Inglaterra conspira contra a França... -, suas intrigas e romances pessoais, bem como a lealdade e amizade (que seria o tema central da história), aventura e todo o resto que um bom clássico de época consegue reunir.

Por mais que seja um ótimo livro com aventuras "capa e espada" e cheio de ação, com uma narrativa bastante detalhada sobre os acontecimentos (com bastante ênfase para as aventuras amorosas de d'Artgnan e os três mosqueteiros), a leitura se torna bastante cansativa. Para "ajudar", a Generale optou por diminuir a fonte para fazer as mais de 700 páginas que compõem a edição original da obra caber em 504 páginas - as outras 32 páginas restantes foram utilizadas como um encarte especial com mais informações sobre a obra como um todo escrito por Alexandre Callari (ótimo para quem quiser saber mais).

Graças ao encarte especial, fiquei sabendo da existência das outras duas continuações do romance, que transforma Os Três Mosqueteiros o primeiro de uma trilogia, seguido por Vinte Anos Depois e O Visconde de Brangelonne (este último o responsável pela história do filme O Homem da Máscara de Ferro). Infelizmente, a própria Generale não irá publicar suas continuações, então, teremos que nos contentar somente com este.

A história pode ter sido cansativa, fictícia com fato históricos, mas no final valeu cada palavra lida (até os nomes em francês que eu não sei pronunciar) que te faz ir além, em ver em como aquela matéria chata da escola pode sim ser interessante, com uma pitada da história francesa do século XVII.


O livro Os Três Mosqueteiros foi cedido em parceria com a editora Generale para resenha


Este post faz parte do I Dare You 2.0 - Desafio Literário, que possui três temas por mês, aonde só é necessário a leitura de um. O tema 1 de julho foi "clássico" e eu resolvi quebrar um pouquinho a cabeça

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2 comentários:

  1. Olá, Naty.
    Já li a obra e não poderia fazer uma resenha melhor; completíssima!
    Essa brincadeira que o Dumas faz com personagens reais é bem interessante, fazendo um paralelo legal da realidade com a literatura.
    O único ponto que me incomodou mais foi a edição. Eu também li um exemplar onde fizeram uma letra mínima para diminuir as páginas.
    Boa dica.

    Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de agosto. Serão dois vencedores e um deles levará um vale compras!

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    Respostas
    1. Olha, se pá acho que essa foi uma das melhores resenhas que já escrevi. E deu trabalho viu? >_<
      Realmente, letra pequena incomoda. E pelo que vi, os livros "grossos" da Generale são todos assim.

      Excluir

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