sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Resenha: Admirável Mundo Novo


Grandes Nomes da Literatura (Vol.03) - Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley - 256 páginas - Folha de São Paulo

Você já sentiu um gosto de vida controlada em nome do bem social? Já sentiu que o mundo a sua volta parece uma gaiola de felicidade? Ou um manual da vida perfeita?
Num mundo desses, todos deveriam ler Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley (1894 - 1963). Membro de uma família de elite britânica, envolvida com discussões que iam da teologia ao darwinismo, Huxley inventou esse mundo admirável para denunciar o risco das utopias (o sonho de mundo perfeito).
Sua distopia (o contrário de utopia) descreve um futuro horrível fruto de uma utopia que deu errado. Essa utopia é o projeto utilitário. O utilitarismo é a escola ética de maior impacto. No mundo contemporâneo, pois elegeu como princípio maior da vida a eliminação do sofrimento e a otimização do bem - estar. Sempre preocupados com a administração pública, os utilitaristas imaginaram um mundo sem contradições. Por isso, em nome da felicidade, sacrificariam a liberdade. Bem-vindos ao nosso mundo.
Luiz Felipe PondéColunista da Folha

A utopia que deu errado



Nunca diga que você conhece tudo sobre algo. Sempre vai ter algo ai para te surpreender. É o que Admirável Mundo Novo fez. 

Quem acompanha o blog sabe como tenho certa preferência por livros do gênero distopia, talvez porque... sei lá, eles estão aí, foram escritos à vários anos atrás (em sua maioria, embora não seja uma regra) e servem muito como aviso para a sociedade futura, tipo 1984, além de gerar grandes reflexões.

Bem, Admirável Mundo Novo é uma distopia com cara de utopia. A definição correta seria uma utopia que deu errado. O livro narra um hipotético futuro aonde as pessoas são pré-condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas.

O conceito da obra é "cada um pertence à todos", tanto que não existe o conceito da família, bem como o de amor. Os bebês não são gerados por uma mãe e um pai, e sim por incubadoras responsáveis por condicionar cada ser desde os embriões, onde já são separados cada qual pertencente a uma casta, criando indivíduos para serem felizes com o papel que lhes é dado diante da sociedade. O sexo é feito somente por prazer e não para procriação, nunca. Os indivíduos atingem a felicidade através de uma substância conhecida como soma e qualquer coisa que venha a ser responsável por desestabilizar o indivíduo é abolido, como por exemplo, a literatura. Isto que é viver em civilização.

O livro começa a se desenvolver mesmo quando há a introdução do personagem John, também conhecido como Selvagem, quando este cria um contraponto entre a civilização - do qual ele apelidou de "Admirável Mundo Novo". Enquanto John, o Selvagem o vê como uma aberração, ele por sua vez causa um certo fascínio por parte dos habitantes civilizados deste mundo, como algo novo, diferente, como parte de uma atração turística por assim dizer.

Assim como acontece com qualquer livro do gênero, Admirável Mundo Novo também traz sua carga de críticas, que serve direitinho contra nossa atual sociedade, mesmo tendo sido escrito em 1932. Aqui, Aldous Huxley crítica o entretenimento como forma de controle pessoal. A sociedade aqui sacrificou certas coisas, tais como livros (Sheakspeare e a própria Biblía - logo Deus não existe - para que o indivíduo não sofra com a solidão. Com o uso de substâncias para prolongar a vida onde cada um goza de uma felicidade falsa e mentirosa, do qual todos são escravos de uma droga específica chamada de soma, utilizada "para acalmar a cólera e outras coisas que antes não era possível de alcançar senão com grande esforço e um penoso treinamento moral." (Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley; p.134; cap. 17)

Assim como em 1984, Admirável Mundo Novo nos faz refletir sobre nossa existência atual - bem como a sociedade. Nossa realidade tem muitas coincidências com a ficção (parágrafo acima), como se a vida imitasse a arte. Posso citar como exemplo em como somos manipulados, seja de certa forma pelo governo, ou do entretenimento que existe para nos distrair (tipo os reality shows), com drogas que nos ajudam a sermos felizes - mesmo que seja uma felicidade falsa.

Espero que não estejamos realmente caminhando para um Admirável Mundo Novo a lá 1984. E como leitora, devo admitir que este livro foi um dos mais bizarros que eu já tive a oportunidade de ler.

Este post faz parte do I Dare You 2.0 - Desafio Literário 2016, que a cada mês traz três temas, aonde só é necessário a leitura de um. O tema 1 de setembro foi "distopia", que trazem grandes reflexões sobre a humanidade.

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